Janela do tempo

Olhando pela janela do tempo,
Percebo não reconhecer
Tantos meus perdidos pelo caminho

Observo com o coração aberto,
O corpo inteiro e a alma presente,
As tais posses que atribuí ingenuamente a mim

Meu caos interno se fragmenta em solo de rebeldia inteligente
Aprendo a lidar com o furacão que me habita
Pelas lembranças que ainda pedem abrigo
E por silêncios que aprenderam a gritar

Carrego em mim fragmentos do ontem
E de um amanhã que me observa
Como quem espera ser nomeado

Desaprendo a existir no compasso da pressa,
Deixo de tentar conter minhas marés,
Mas não desisto de sentir

Aceito, enfim, o fato de ser feita de lapsos e lampejos,
De tudo o que fui
E de tudo que ainda não ouso ser

2 comentários

aspas
A cada nova linha que completo
Um novo amanhecer se faz aqui
Trazendo luz pra minha escuridão interna

As linhas em branco
Me concedem o poder
De traduzir as fagulhas do meu caos interno
E me aproximar cada vez mais de mim

(Em branco, escrito em 25 de abril de 2023)