A voz que insiste em não querer existir


Não importa de que lugar esse eco vem,
Pois ele me alcança
Atinge meus tímpanos como flecha
De quem sangra até quem faz sangrar

Meu sentir torna-se uma névoa caótica
Sinto apenas a minha desordem visceral
Um caos que, visto de longe, até parece bonito
Mas, daqui, sendo eu, me inunda até fazer afogar

Não existe fôlego que me salve de mim.

As mãos que tentam fugir do silêncio
Deixam palavras escritas
Na tentativa de trazer uma ponta de esperança ao meu fim do túnel
Mas, ao contrário disso, se desenham como se fossem sentenças

Como posso me salvar de mim?
Fugir da roupa que me veste, sendo ela minha própria pele?
Dos desalentos do mundo, das dores do viver,
Das hipocrisias que nascem com o romper da vida?

Sinto-me uma dessas farsas
Que aprendeu a parecer inteira
Mesmo quando o avesso grita pra existir

2 comentários

  1. Me lembrou um verso de uma amiga que falava sobre ir embora de si. Intenso.

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aspas
A cada nova linha que completo
Um novo amanhecer se faz aqui
Trazendo luz pra minha escuridão interna

As linhas em branco
Me concedem o poder
De traduzir as fagulhas do meu caos interno
E me aproximar cada vez mais de mim

(Em branco, escrito em 25 de abril de 2023)