Sobre viver num eclipse constante
Eu te amei como quem admira o céu pela metade
Um céu que nunca se oferece inteiro
Um céu que guarda um lado impronunciável, quase místico...
Você tinha luz suficiente para me ensinar a ter esperança
E sombra suficiente para me ensinar sobre o medo
Fiquei porque havia beleza no modo como você quebrava o silêncio
Como se cada palavra abrisse uma fresta
Do infinito que eu nunca estive diante, mas sinto conhecer
Amar você era viver num eclipse constante
Sentenças, enlaces, degradês e muitos e se
Eu fiquei, porque também sou feita de metades:
Metade coragem, metade fuga
E outras metades que ainda estou descobrindo
Mas que são difíceis de nomear
Fomos intensidade na intimidade do escuro de nós que ninguém vê
Dois corpos aprendendo que amar não é escolher um lado para mostrar de si
É sobreviver aos dois
Comentários
Postar um comentário