Oi, Biju
Nasci de ti e, ainda assim, carrego em nós um desencontro infinito
Há dias em que esse abismo se faz mais presente,
A falta se intensifica e a saudade, em seu gosto mais amargo, me atravessa
Você me visita em sonho
E, diferente de tudo aquilo que na vida eu aprendi a evitar,
De você eu não sei fugir
Há em mim tantos fragmentos seus — espalhados, silenciosos — que, às vezes, é impossível escapar
Entre todas as ausências que me alcançam hoje, a mais profunda é a da sua voz
Pergunto-me, entre tantas questões que não cessam,
Se ainda reconheceria o timbre da sua risada,
Ou o som exato de você chamando meu nome
Há quase nove anos, o mundo virou do avesso
Nossos caminhos se partiram ali, e a vida seguiu por um rumo díficil de compreender
Desde então, meu luto oscila entre o amor e o ódio,
Entre a certeza e a indiferença.
E, em meio a todo esse caos,
Descobri sentimentos que acreditei, na minha concepção quase infantil, que nunca sentiria
São tantas camadas em mim, que já não sei qual delas mais dói

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