Escrever para não morrer
Sinto o insuportável peso do gosto do domingo
Nesses instantes, nas penumbras do tempo,
Lembro de coisas que não posso esquecer
Mas o recordar é doloroso
Escorre das mãos a razão
E um vergonhoso sentimento me inquieta:
Desejo adiar o amanhecer
Postergar pro futuro o prosseguir da vida
Aflitivas melodias me dão o súbito poder
De colocar em palavras os sentimentos que me atroplelam
Mas que jamais soube nomear
Talvez me faltem palavras
(Talvez, me foram roubadas)
Talvez me falte bagagem
(Talvez, eu que não faça questão)

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