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Boas-vindas!

Este é o território do renascer, onde o novo se revela no eco da antiga voz. Neolíria dá forma ao lirismo que resiste e ao retorno do que nunca deixou de existir. Aconchegue-se e fique à vontade! Que cada leitura seja um reencontro com o novo, onde algo em ti também floresça. <3

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novos mundos
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a saudade se veste de várias maneiras
são disfarces sorrateiros
no menor descuido, percebo meu rosto molhado
eu não consigo dizer, mas sentir é inevitável

outro dia, ouvi Cássia Eller
e meus pensamentos foram tingidos dessa cor inebriante
que lembra você
minhas limitações são muitas
meus pensamentos sussuram baixinho
quanto ainda preciso aprender...

é convidativo morrer de amor
a paixão é uma janela aberta
a brisa suave vem lenta,
como o silêncio de domingo

o peso da expectativa me paralisa
me trava, me traga
a ponta dos dedos latejam o desejo que o corpo transborda
essa vontade insana, intrínseca
que ainda insiste em fazer arder e queimar meu corpo
se pernsonifica em várias línguas
em várias melodias

o vinho dissolve todo anseio
são as grutas do desejo
arrebentando meus poucos fios de sanidade
Em minha espera
Existe um coração ansiando acalento
A melodia que me acalma é sua voz
Sonoridade rouca, serenidade que é sinônimo de cuidado

Deixo claro: nada mudou
Meu amor é o mesmo, a saudade ainda castiga
Os domingos são tingidos de laranja,
Lembram a cor dourada da sua pele
As lembranças são os doces escondidos no fundo do armário

O tempo continua sendo esse senhor inconveniente…
Mas sou paciente: o simples toque da memória faz meu coração se inundar de alegria
Sorrio ao fechar os olhos e ser você quem eu vejo
Olhar pela janela me remete a dias distantes. A memória se concentra em detalhes que já foram cotidianos, mas hoje causam certa estranheza... Sinto ser uma nova pessoa, mas você ainda é aquela antiga ideia congelada no tempo. Minhas idealizações de ti já foram tantas, que quando me choquei com a realidade, descobri quão perigoso pode ser o querer. Cada fragmento de esperança que existia em mim foi destruído, brutalmente assassinado. Era você, em mil formas, e em todas elas, estava o que eu precisava, muito além do que você realmente era.
As ligeirezas da vida às vezes tornam irresistível o ato de esquecer
enraizo cada vez mais minha mania de encontrar repouso nas lembranças
das que guardo com apreço às que tento esconder
são o meu chá quente numa tarde fria
Certo dia, no início das minhas descobertas do mundo,
Senti tanto e de forma tão avassaladora,
Que meu coração, ainda aprendiz no que se refere ao sentir,
Ansiou amar devagar.
Amar mansinho, sem tanta pressa,
Sem tanto querer...
Ainda hoje, preciso prestar atenção
Pra não tropeçar em antigos costumes

O sol reaparece
E, sem pressa,
Palavras se desenham no ar

A vida se faz presente
E meu coração aterriza na esperança
De uma nova promessa
Pra um antigo desejo

Insisto em querer fazer dar certo
Explicar é complexo... fogem de mim as palavras

Mas

Você me ensinou novos modos de sentir
E eu não lembrava que me ocupava tanto

Há coisas que não sei dizer, então observo...
Faço de mim uma criança aprendiz,
A descobrir, com as mãos ainda pequenas,
As formas possíveis de estar no mundo

E confesso, de coração inteiro:
Esse aperto no peito me confunde,
Faz com que eu sinta uma alegria tão profunda
que desperta em mim questionamentos egoístas,
Como se, por um instante, o mundo inteiro
Tivesse depositado em mim sua alegria

Não sinto peso nenhum,
Mas não sei o que sentir...
Em minha corajosa insensatez
Sinto o insuportável peso do gosto do domingo
Nesses instantes, nas penumbras do tempo,
Lembro de coisas que não posso esquecer
Mas o recordar é doloroso

Escorre das mãos a razão
E um vergonhoso sentimento me inquieta:
Desejo adiar o amanhecer
Postergar pro futuro o prosseguir da vida

Aflitivas melodias me dão o súbito poder
De colocar em palavras os sentimentos que me atroplelam
Mas que jamais soube nomear

Talvez me faltem palavras
(Talvez, me foram roubadas)
Talvez me falte bagagem
(Talvez, eu que não faça questão)
Encaro os olhos do passado
Você mora nele
Nesse corpo distante,
Na palavra escrita que se torna grande
Imensa demais pra ser ignorada…

Lembra de mim?

A garganta anuncia uma saudade
Sem nada dizer
Há apenas os sentimentos de um segredo ferido

Os dedos alcançam certa esperança
Relembro com o gosto na boca:
Somos um lamento vazio
Uma febre que arde sem cessar

A vizinhança sente o cheiro da minha tortura
Nada externo sara essa inquietação
Mas nada fora de mim existe
É só aqui dentro:
Um lugar que você não pode chegar

Respiro e sinto
Como facas afiadas em meu peito:
Tenho o dom de esquecer
De esconder
De muito bem fingir
Enquanto tento tornar minha necessidade de controle tragável
A venda dos olhos me faz flutuar

Volto pra um daqueles instantes em que se esquece do tempo
A vida me serve um banquete de lembranças
Cheiros e gostos batem à porta das sensações

A salivação se torna intensa
Engulo a seco
E me torno refém
Do que nunca vivi

Do coração ao corpo, do sentir ao instinto
Revivo delírios em que tanto mergulhei
Mas que de muito querer
Me afoguei
Sem sequer experimentar o gosto
Do que tanto quis sentir

Estou descalça
Meu coração pede abrigo
Caminho pelos corredores da razão
Sem conhecer muito do espaço
Mas a cada passo dado
Tenho mais certeza da minha busca

Das coisas mais lindas que guardo na memória
E as certezas que diversas vezes provei o gosto (e saboreei... e repeti...)
Apesar de agora não reconhecer o sabor
Uma nova certeza que tenho é a de que
Todos os gostos valeram a pena

Recrio um novo lar
Vivo ao encontro de novas descobertas
Acendo a fogueira mais calorosa pra continuar
E oferecer casa pras minhas novas convicções 
Assisto — e admiro — as manobras da vida,
tentando me desviar do caos.

Fui abraçada pela redescoberta
de ainda ser abençoada,
embora Deus, hoje,
more num lugar em mim
que já não reconheço.

Ainda assim,
sinto-me renovada:
cheia de graça,
de esperança
e de vida.
Nos atos floridos, esquecidos
Remedio os olhares
Nas redondezas de mim
Encaro o passado
E a cada passo em frente, venço
Sou eu comigo, em todos os acontecidos
Seu olhar me atravessa
Me sinto nua
Despida de todas as barreiras que tento colocar entre nós

É maior que eu, essa vontade
Esse desejo de ficar e ir embora

A cavalaria em meu peito
Atravessa rios, estradas
Cavalga na direção de chegar até o mar
E explodir esse sentimento infindo...
Confuso e complexo que tenta me explicar a relação entre a dor e o amor
Mas está longe de me trazer respostas

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